Glauber Vicari

O futuro do comer

Este é o segundo post sobre a #SWSX2019… e sim, eu sei… o título é meio estranho, e pode levar a interpretações engraçadinhas. Mas a verdade é que o assunto é bastante interessante. Então vamos lá!

Neste painel, houve um encontro de um empreendedor do ramo de alimentos (Gordon Smith), um designer com experiência na área (Max Elder), e um PhD no assunto (Markman). Todos discutindo sobre o futuro do comer… e sim, isso é diferente do futuro da comida.

Pra começar, eles trouxeram uma informação interessante, dizendo que o paladar é algo que a gente precisa treinar e aprender. Mencionaram que as primeiras experiências com álcool, por exemplo, são ruins, e que conforme o paladar vai aprendendo (ou sendo treinado) ele se adapta e se prepara para identificar novas possibilidades.

Assim, por mais que a tecnologia avance, ainda há um aspecto sensorial difícil de replicar.

Além disso, a comida foi posicionada como um artefato social, ou seja, vai alem da experiência em si. Ela define sociedades, molda as interações sociais, o que a torna um elemento menos “automatizável” na opinião dos painelistas.

Ainda, no ponto de vista dos painelistas, o comer de forma “virtual” – ou seja, onde pessoas se juntam virtualmente para compartilharem uma refeição – foi trazido como algo inviável no curto espaço de tempo. Ainda há a dependência da interação humana.

Future of eating
Painel “Future of Eating”, na SXSW 2019

Essas práticas foram exemplificadas através de movimentos de fast e slow food, pois elas trazem consigo toda uma gama de comportamentos e interações sociais atreladas.

A tecnologia, entra nessa equação no sentido de automatizar e simplificar o processo da preparação dos alimentos, e não substituindo as interações. Nas palavras dos especialistas, “todo mundo poderá ser um chef de cozinha”, trazendo mais sentido para a experiência.

Indo um pouco além, ainda no assunto tecnologia, outro assunto abordado foi a transformação gradual da comida em medicamentos, através da criação de comidas personalizadas para cada um de nós. Embora o assunto não seja novo, o crescimento na criação de negócios sobre o tema, é que é a novidade, popularizando gradualmente a ideia.

Smart Cities

Ao conectar o futuro da comida com o futuro das cidades, houve uma preocupação sobre a geração de comida, já que isso não era um tema central nas conversas.

Foi dado o exemplo de Cape Town, onde a cidade ficou sem água durante um período no passado, mas o WiFi continuava funcionando.

A crítica, portanto, se dá no sentido de que para termos cidades realmente inteligentes, precisamos garantir a segurança alimentar destes lugares.

Quando falamos em Smart Cities, a produção local de alimentos deve ser uma prioridade, já que essa segurança alimentar passa muito por uma agricultura mais próxima dos grandes centros.

Por fim, a preocupação de países desenvolvidos com a origem da sua alimentação, dá espaço para iniciativas de blockchain, para rastreamento da comida, o que embora ainda muito embrionário, será natural em breve.

Contudo, na opinião dos painelistas, em lugares onde a simples segurança alimentar ainda não é uma realidade, isso pode demorar um pouco.

Opinião

O painel foi muito interessante pois trouxe outros “vieses” para o assunto “comer”, para além da pura tecnologia em si, questionando o aspecto social da comida e de como ela inclusive molda nossos comportamentos.

Descolar o aspecto social da tecnologia torna o assunto vazio, já que são inúmeros os exemplos de como a comida molda a sociedade. Desde o almoço de família de domingo, até o churrasquinho de rua.

Falando puramente sobre a tecnologia, fica a sensação de que o futuro do comer não passa diretamente por ela, senão na questão do seu melhor aproveitamento e personalização.

Ainda, aproximar a produção das grandes cidades, garante uma experiência sensorial mais apurada, além de naturalmente auxiliar na questão da cadeia de suprimentos.

Por fim, fica a sensação de que o futuro do comer é ao mesmo tempo um reflexo e um influenciador da forma como a nossa sociedade se organiza.

Até a próxima!

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