Glauber Vicari

O mundo é waterfall!

Estava conversando com alguns amigos nesta última semana, sobre as dificuldades que a gente encontra no dia-a-dia, quando fala em transformação ágil, mindset, e tudo mais.

Depois de divagarmos por um tempo sobre alguns dos principais motivos, acabamos concordando que, embora exista sempre aquela briga de gerações, modelos de gestão, e afins, o motivador de tudo isso é muito mais profundo, afinal, formamos nossa forma de pensar e resolver problemas / tarefas desde muito cedo, e levamos isso conosco a partir de então.

E, que se essas atividades cotidianas fossem classificadas em metodologias de projeto, seriam provavelmente classificadas como waterfall.

Contextualizando um pouco, waterfall é um modelo de gestão de projetos, que consiste em fases bem definidas, conforme a imagem abaixo.

O modelo waterfall / cascata

Mas isso é um problema?

Bem, na verdade, se pensarmos em coisas como construções de prédios, pontes, plataformas de petróleo e afins, funciona legal, afinal, dificilmente alguém pensaria em construir um prédio começando pelo último andar.

O problema, é que para cenários onde existe incerteza – como software, inovação, produto e etc – e que precisam de um feedback rápido e frequente, esse modelo não permite o ajuste rápido de curso.

Então, antes de defender A ou B, o ponto aqui é: usar a ferramenta certa para a coisa certa…

Vamos ao mundo, como ele é… e observar o mundo waterfall.

Ensino

Quando a gente pensa no modelo principal de ensino, ainda em vigor em países como o Brasil, a gente encontra… waterfall… afinal, a gente é dividido por anos / séries, com disciplinas que são estabelecidas com currículos também anuais, pré-definidos, que pouco variam quanto ao que fora planejado. E não importa se uma grande descoberta da ciência revolucionar tudo. O currículo só vai mudar no ano seguinte (com sorte).

Por isso, algumas universidades com a Singularity, por exemplo – e sem entrar no mérito da situação atual deles – vinham usando outras abordagens, como cursos com cargas horárias menores, e mais adaptáveis às mudanças do mundo.

Mercado

Bom, a gente acaba crescendo e vivendo na realidade das empresas… e quando a gente pensa de forma mais ampla, observa que o mundo gira ao redor de planos estratégicos, valor de mercado, e tudo mais…

Olhando para as grandes empresas – principalmente aquelas listadas em bolsa – de forma bem simplificada, elas possuem um board que representa os acionistas, e que interage com o presidente, no sentido de combinar – entre outras coisas – um direcionamento estratégico. Em geral, o horizonte disso mira uns 5 anos no futuro…

Uma vez que isso seja combinado, este plano é quebrado (em geral), em planos anuais, com orçamentos anuais, prioridades anuais, e por aí vai… em alinhamento com o plano de 5 anos. E uma vez setadas as metas, vai ser preciso uma boa conversa pra tentar mudar algo.

Não importa se o mundo mudou no meio do ano, e o preço de algo quebrou seu mercado. O plano está feito! Ache um jeito de atingir o resultado. Mudar todo este combinado – mesmo em empresas com gestão mais ágil – ainda é um desafio.

Então…

Depois dessa conversa toda, fica fácil entender porque é tão complicado no dia-a-dia, fazer essa quebra na forma de pensar, quando desde a nossa infância, a gente é levado a pensar em um formato “planeja, organiza, implementa”, seja o que for.

E embora a gente possa discordar de alguns aspectos ali do texto acima, o mercado ainda vai viver muitas dessas práticas por um bom tempo. A maioria das empresas tem orçamentos anuais, com planejamentos de longo prazo, e tudo mais.

O desafio futuro, vai ser quando este mindset “ágil” chegar nos boards das empresas. Será que vamos mudar nossa forma de administrar o mundo?

Fica a reflexão.

Nos vemos na sequência!

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